Hospitais sem Dipirona, UBS sem ambulâncias e Wladimir anuncia mutirão de cirurgias bancadas com emendas: empresários já miram a verba

Com direito a vídeos e holofotes, o prefeito Wladimir Garotinho anunciou um mutirão com 1.617 cirurgias em diversas especialidades. Tudo isso, claro, regado com emendas parlamentares, porque, ao que parece, a saúde de Campos só funciona quando deputados abrem o cofre.
Mas, enquanto o prefeito vende o evento como a salvação da lavoura, a realidade nos bastidores é digna de novela: hospitais sem dipirona, UBSs sem ambulâncias e empresários esfregando as mãos, de olho na verba gorda que pode acabar em farra com dinheiro público.
Wladimir Garotinho jura que o mutirão vai “desafogar” a fila de cirurgias, que, vejam só, ainda atende pacientes de outros municípios. Sim, Campos é o pronto-socorro da região, mesmo com seus hospitais operando no modo “faça-você-mesmo” – faltam medicamentos básicos como dipirona, e as UBSs, coitadas, não têm nem ambulância para transportar pacientes.
“É cada um por si. Se precisar de remédio, traz de casa. Se precisar de transporte, pede um carro por aplicativo”, desabafou um funcionário de hospital, pedindo anonimato para não virar alvo na cidade.
E enquanto a população implora por atendimento básico, os bastidores do mutirão cheiram a oportunismo.
Fontes apontam que empresários do ramo de equipamentos médicos e medicamentos estão de olho nas emendas parlamentares que financiam o evento. “Essas verbas são um prato cheio. Já vimos preços de seringas e gaze virarem artigo de luxo em contratos assim”, revelou um ex-funcionário da prefeitura, sugerindo que o superfaturamento pode ser o verdadeiro protagonista desse mutirão. Afinal, com tanto dinheiro circulando, quem fiscaliza se o bisturi comprado vale mesmo ouro?
O mutirão, que o prefeito apresenta como a redenção da saúde pública, levanta mais perguntas do que respostas. Por que, em 2025, Campos ainda depende de mutirões e favores políticos para oferecer o mínimo? E mais: para onde vai o dinheiro das emendas quando os hospitais não têm nem analgésico?
Enquanto Wladimir posa para fotos,empresários afiam as calculadoras, a população segue na fila – esperando por uma cirurgia, por um comprimido ou por um milagre que, pelo visto, só existe no discurso oficial.