PEC da Blindagem pode abrir caminho para impunidade em casos de corrupção

 PEC da Blindagem pode abrir caminho para impunidade em casos de corrupção

Sessão na Câmara dos Deputados (Agência Brasil)

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, em análise na Câmara dos Deputados, tem gerado críticas de especialistas e organizações da sociedade civil. O texto prevê que deputados e senadores só possam responder a ações criminais mediante autorização do próprio Parlamento — medida que, segundo críticos, pode favorecer a corrupção no uso das emendas parlamentares.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) afirmou que a PEC fortalece a impunidade, sobretudo ao permitir voto secreto em decisões sobre a responsabilização de parlamentares. O diretor da entidade, Luciano Santos, lembrou que o volume de emendas ultrapassa R$ 50 bilhões ao ano e já é alvo de investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal. Para ele, a proposta busca blindar políticos diante de apurações em curso.

A Transparência Internacional também se manifestou contra, lembrando que, entre 1998 e 2001, quando vigorava regra semelhante, o Congresso barrou 253 investigações contra parlamentares, autorizando apenas uma. O Instituto Não Aceito Corrupção classificou a proposta como “uma casta de intocáveis”.

Por outro lado, defensores da PEC, como o relator Claudio Cajado (PP-BA), sustentam que a medida não significa licença para abusos, mas uma proteção ao mandato parlamentar contra interferências do Judiciário. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o Congresso não barraria investigações contra criminosos.

Críticos, no entanto, recordam que a experiência anterior mostrou forte corporativismo e tendência de autoproteção no Legislativo. Para o jurista Marco Aurélio de Carvalho, a PEC “é quase uma ação entre amigos”, que pode comprometer ainda mais a transparência no uso das emendas.

Fonte: Agência Brasil

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