Nikão expõe bastidores da queda do Athletico e cita Petraglia

O meia Nikão disse que o Athletico não seria rebaixado em 2024 caso o presidente Mario Celso Petraglia não tivesse tido problemas de saúde. Em entrevista exclusiva para a Trétis, o jogador apontou fatores que contribuíram para a queda e exaltou a autoridade do dirigente no clube.
Eu acho que um dos pontos foi a grande troca de treinadores. Muita coisa aconteceu. Minha opinião: se ele [Petraglia] tivesse bem ali, no dia a dia, o time não tinha caído. Ele é um cara que, do menor para o maior, a cobrança é igual. É um cara que, a vida dele é aquele clube.
— Nikão sobre os fatores que levaram o Athletico ao rebaixamento para a Série B
Os problemas de Petraglia tiveram início com uma cirurgia de emergência no intestino, por conta de uma obstrução, em setembro de 2019. O problema fez o dirigente perder a viagem para o Beira-Rio, em Porto Alegre, onde o Athletico conquistou o título inédito da Copa do Brasil no dia 19 daquele mês.
O que parecia um procedimento normal se transformou em uma série de complicações. Quatro dias depois, uma segunda cirurgia foi necessária para corrigir uma aderência (dobra) de alça intestinal, cuja recuperação foi tortuosa. Em 26 de setembro, Petraglia apresentou uma fístula intestinal, uma complicação pós-operatória grave, que exigiu transferência emergencial para São Paulo. Na manhã seguinte, foi levado ao Hospital Vila Nova Star, na zona sul da capital paulista, onde passou por uma terceira cirurgia em apenas 11 dias.
Duas semanas depois, em 11 de outubro de 2019, uma quarta intervenção cirúrgica foi realizada para correção definitiva da fístula e fechamento da parede abdominal. O procedimento foi bem-sucedido e Petraglia recebeu alta em 3 de novembro de 2019 – 47 dias após a primeira internação.
Em 2023, já com 79 anos, Petraglia passou por um procedimento cirúrgico reparador para resolver consequências das operações anteriores, seguido por um período de repouso de cerca de quatro meses. Em junho daquele ano, pediu afastamento da presidência do clube por tempo indeterminado, retornando oficialmente ao comando do Athletico no início de outubro daquele mesmo ano. Contudo, em 2024, o presidente seguiu orientações médicas e ficou mais afastado das atividades profissionais.
Neste ano, Petraglia voltou a ativa e está mais presente, tanto no CT do Caju quanto na Arena da Baixada, apesar de ter ficado duas semanas internado no Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
/https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F11%2Fathletico-idolo-nikao-rebaixamento-2024.jpg)
Thiago Heleno jogou machucado após zagueiro pedir para não jogar em 2024
Em uma espécie de mea culpa, Nikão deixou claro que tem uma parcela no descenso do Furacão, mas apontou que os ídolos rubro-negros daquele elenco foram os que ficaram mais marcados. Além dele, o zagueiro Thiago Heleno, o volante Fernandinho e o atacante Pablo tiveram uma mancha na história pelo Athletico com o rebaixamento.
Nesse contexto, Nikão ainda confirmou que teve um zagueiro daquele elenco que não queria entrar em campo. Com isso, Thiago Heleno teve que atuar mesmo lesionado.
“O Thiago jogou alguns jogos machucado. É verdade [que teve zagueiro que pediu para não jogar]. Não vou falar quem é, mas eu tava do lado”, confirmou ele sobre a informação dita por André Fontana e Vinicius Furlan, que conduziram a entrevista na Trétis.
/https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2026%2F11%2Fthiago-heleno-athletico.jpg)
Com o rebaixamento sacramentado, o Athletico decidiu pela saída dos quatro ídolos. Contudo, Nikão ainda revelou que tinha um acerto para ficar no Furacão em 2025.
“Eu tinha um acordo com o Athletico. Se a gente permanecesse na Série A, era pra continuar. Já tinha esse acordo, conversado com o Lara e o Lucho. Não com o presidente porque ele não estava todos os dias. Depois que aconteceu, aí não fui mais procurado por ninguém. Acabou meu contrato com o Athletico e também acabou meu contrato com o São Paulo. Após a queda, ninguém me procurou e não tive nenhuma conversa com o clube em cima disso”, completou Nikão.
Ídolo revela contato próximo com Petraglia e diz não se arrepende de retorno ao Athletico
Com a camisa do Athletico, Nikão se sagrou bicampeão da Copa Sul-Americana, com os títulos de 2018 e 2021. Na última conquista, aliás, anotou o único gol da final sobre o Red Bull Bragantino, em Montevidéu. O jogador também conquistou a Copa do Brasil (2019) e duas edições do Campeonato Paranaense (2016 e 2020).
Além disso, Nikão é o quarto jogador que mais defendeu a camisa rubro-negra, com 343 jogos. Com esse currículo, o retorno em abril de 2024 animou a torcida. No entanto, a segunda passagem pelo Furacão teve um roteiro muito longe do imaginado.
“Pra mim, naquele momento, quando eu recebi o convite, não pensei duas vezes por tudo que tinha sido construído dentro do clube e o que a gente tinha vivido naqueles sete anos. Sempre deixei claro que o Athletico foi a minha casa. Eu sempre conversava com o presidente, a gente estava sempre em contato”, contou.
Em baixa no São Paulo e com passagem apagada no Cruzeiro, Nikão aprovou a volta com os empresários sem imaginar em como a temporada acabaria.
“Quando surgiu a possibilidade, eu dei o ok para os meus empresários naquele momento. Achei um projeto muito bom. Naquele momento, ninguém imaginaria ou falava que aconteceria o que aconteceu. Eu vim sem nem pensar por tudo que eu já tinha vivido, por tudo que eu tinha passado dentro do clube, mas não imaginaria que chegou onde chegou. Acho que são coisas que fazem parte do futebol. Uma pena e, infelizmente, foi aqui no clube no qual eu construí uma tão bonita que é no Athletico”, lamentou.