Pesquisa de estudantes campistas será apresentada na Reunião de Antropologia do Mercosul, em Salvador

 Pesquisa de estudantes campistas será apresentada na Reunião de Antropologia do Mercosul, em Salvador

Maria Luisa da Hora (à esquerda) e Clarice Chagas (à direita) –
Foto: Divulgação

Muvvuca: um projeto criado por duas jovens pretas campistas, estudantes de universidades públicas na cidade, com o intuito de levar arte e cultura a cada vez mais pessoas. Uma comunidade de curadoria e acolhimento de artistas independentes, com o objetivo de exaltar múltiplas expressões culturais.

Uma produção independente, que nasce em 2023, a partir do desenvolvimento de um artigo das universitárias Clarice Chagas (UFF) e Maria Luísa da Hora (UENF). Um coletivo que tem na sua essência articular a reconstrução da identidade e autoestima cultural local.

Um trabalho que se firmou, tornou-se um perfil engajado com a cultura popular nas redes sociais e dois anos depois do seu surgimento, se prepara para alçar voos maiores. Em 6 de agosto, Clarice e Maria Luísa vão apresentar a pesquisa na XV Reunião de Antropologia do Mercosul, em Salvador.

Com o tema “Retomar o futuro”, o XV RAM convoca a antropologia sul-americana a refletir sobre os desafios urgentes das crises sociais e ambientais que afetam o mundo.

O projeto campista é pautado na importância de uma cultura múltipla e participativa para a identidade. “Mvúka, de origem banta e língua quicongo, significa aglomeração ruidosa de pessoas como forma de lazer e celebração. Agrupamento ruidoso de pessoas que estão se divertindo, geralmente composto por jovens que se juntam para conversar em locais abertos, públicos, restaurantes, bares ou por lazer; agito”, diz o texto produzido por Clarice Chagas e Maria Luisa da Hora.

“Observando o território de Campos dos Goytacazes, percebemos a dificuldade de acesso e consumo da cultura afro diaspórica e underground, e entendendo a importância de reconstruir uma cultura que seja autêntica a partir da consciência da memória para um futuro de identidade cultural que não seja alienada, a MUVVUCA busca então, facilitar e viabilizar o acesso a diferentes formas de expressões culturais”, dizem as estudantes no trabalho.

O campo de observação dos estudos é bem delimitado: festas de entrada gratuita ou baixo custo, que movimentam a cena underground, com público majoritariamente constituído por pessoas negras, periféricas e LGBTQIA+ .

“No artigo “MUVVUCA – Etnografia do Front” observamos que Campos tem sua cultura historicamente composta pela herança dos escravizados e povos originários, porém, refém de um genocídio cultural, e percebemos a dificuldade do acesso à cultura contra hegemônica da população de forma mais ampla”, complementa o trabalho.

Uma produção independente, de duas jovens universitárias negras campistas, que agora vai reverberar em outra ponta do país, chegando à capital da Bahia. Clarice e Maria Luisa viajam na próxima sexta-feira (1º), para levar o nome de Campos á 15º edição da Reunião de Antropologia do Mercosul.

O congresso acontece entre os dias 4 e 8 de agosto. na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. A apresentação das estudantes campistas acontece no dia 6. Uma campanha vem ganhando as redes sociais neste último mês, para ajudar às meninas com o custo da viagem. Para quem se interessar, as doações pode, ser feitas via pix através da chave [email protected].

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