Sistema do jogo do bicho de Rogério Andrade é tirado do ar no país inteiro, diz promotor do Gaeco

 Sistema do jogo do bicho de Rogério Andrade é tirado do ar no país inteiro, diz promotor do Gaeco

Durante entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (10) para detalhar a Operação Calígula, o promotor de Justiça Bruno Gangoni, coordenador do Gaeco, disse que o sistema do “jogo do bicho” do contraventor Rogério de Andrade, um dos alvos da ação, foi tirado do ar no país inteiro.
Gangoni explicou que isso ocorreu depois que o MP identificou e prendeu parte do núcleo tecnológico do Rogério de Andrade, composto por desenvolvedores do jogo no país.
Esse núcleo, de acordo com os investigadores, não atuava só no Rio de Janeiro, mas também em estados das regiões Sul e Nordeste.
“A atuação criminosa de Rogério de Andrade extrapola o Rio de Janeiro. Hoje, essa organização criminosa busca expandir a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis, uma expansão que é conquistada com violência e corrupção”, afirmou Fabiano Cossemerlli, subcoordenador do Gaeco.
A operação desta terça teve como alvo uma rede de jogos de azar explorada pelo bicheiro Rogério de Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa — réu pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista dela Anderson Gomes.
Relação antiga
Segundo as investigações da força-tarefa do MPRJ sobre o atentado à vereadora, Rogério e Lessa têm uma relação antiga, de quando o policial militar reformado ainda era segurança do bicheiro.
As investigações também apontaram que os dois investigados abriram casas ilegais de apostas e bingos clandestinos em diversos estados. A parceria viria desde, pelo menos, 2018.
Entre os presos na operação está o delegado Marcos Cipriano, levado para a Corregedoria da Polícia Civil. Também foi detida a delegada licenciada Adriana Belém. Na casa dela, foram apreendidos quase R$ 2 milhões num cofre e escondidos em malas no quarto do filho da policial.
Em nota, a defesa de Cipriano informou que a prisão “é absolutamente desnecessária e afrontosa a legislação, que exige que os fatos sejam contemporâneos, e causa estranheza uma prisão ser decretada por fatos ocorridos em 2018. Sua inocência será provada na Justiça”.
A defesa de Adriana Belém, também por nota, disse que “não vê necessidade na prisão e analisa a possibilidade de impetrar um HC [habeas corpus], já que o MP requereu a prisão antes mesmo da contagem de valores ser finalizada, prematuramente e sem sequer dar chance dela explicar”.